• Programa de Estágio

Notícias

04/01/2017 17:12

Bahia ainda é o melhor ambiente para negócios

Baiano de Salvador, "do bairro da Lapinha", como frisa com orgulho, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Hereda, espera “boas notícias” para o estado em 2017, mesmo diante de uma conjuntura político-econômica l considerada desfavorável. Hereda, que foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo Dilma, ainda estampa em seu gabinete o quadro oficial da ex-presidente, criticando medidas tidas como “destoantes” de Temer. Nesta entrevista exclusiva para A TARDE, ele esclarece notícias sobre sua saída da pasta, anuncia um novo portal de negócios já para janeiro e antecipa ações para efetivação de 300 empreendimentos a serem implantados na Bahia até 2018: R$ 18 bi em investimentos.

Foi difícil fazer a transição da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração (SICM) para Desenvolvimento Econômico (SDE), em meio à conjuntura de crise?

O ambiente é muito diferente realmente: quando eu tomei posse eu me lembro que eu dizia que a gente tinha um problema mais de luta política que uma crise econômica radical e que, se agente soubesse administrar as questões políticas, talvez não fosse preciso pagar um preço muito alto. Acho, entretanto, que o país não soube fazer isso, e a coisa só piorou. Então, qualquer secretaria de desenvolvimento econômico num ambiente desse tem muita dificuldade de atuar. Mas, uma secretaria de indústria e comércio, geralmente é muito compactada, ao contrário de uma secretaria de desenvolvimento econômico que precisa ser transversal e trabalhar mais com processos de forma integrada. A SDE, portanto, precisa atrair e também criar o melhor ambiente de negócios para qualquer setor.

O senhor vinha justamente de um período anterior, mais próspero, com muitas liberações de financiamentos pela Caixa...

Sim, tive que me acostumar com um orçamento minguado, diante da situação que os estados passam no país, numa diferença muito grande dos orçamentos que eu tinha que gerir como presidente da Caixa. Mas, a Caixa também tinha desafios dentro daquela realidade, assim como agora a SDE também os tem, e cada desafio tem seu timing e modo de atuação. Na SDE, eu tenho um componente importante, um estímulo a mais: é minha terra, onde eu nunca tinha trabalhado no primeiro escalão, depois de experiências em São Paulo e em Brasília. Então, faço isso com muito carinho, vendo como uma oportunidade de realizar a vontade que sempre tive de poder ajudar meu estado.

O senhor teve que readaptar projetos por conta da conjuntura?

Primeiro, é importante que se diga que, mesmo com a crise, a Bahia é o melhor ambiente para negócios no Brasil, ou está entre os melhores, porque tem hoje um equilíbrio político maior que o nacional e tem um estado equilibrado financeiramente também, mesmo sofrendo perdas de arrecadação. É, portanto, um estado que continua investindo e com equilíbrio fiscal que garante o cumprimento dos compromissos do governo, num diferencial importante nesse momento. Então, diante disso, passamos a trabalhar em dois horizontes: primeiro, tendo que fazer o máximo para garantir agora o melhor ambiente de negócios possível, acolhendo e atraindo os que investem ou planejam investir no país; e, ao mesmo tempo, pensando a longo prazo, com foco na geração de empregos de forma estratégica. Daí porque também estamos trabalhando num plano de desenvolvimento de longo prazo para a Bahia, com horizonte inicial até 2035, vislumbrando vários potenciais, a exemplo do de agregar valor ao agronegócio do estado, instituir a cadeia de chocolate, fomentar o turismo, entre outras inúmeras vertentes para bons negócios em todas as regiões do estado, inclusive no semi-árido com as energias renováveis. Então, é aquela história: se a gente sabe por onde tá indo, a gente não tem medo de nada, sobretudo, quando temos a certeza de que a direção está correta.

Que avanços o senhor destaca dentro dessa ótica de atuação da SDE?

Dentro da proposta de atrair novos investimentos, por exemplo, temos partido para o "téte-à-téte", pulando o balcão para nos aproximar do investidor. Outra frente também de destaque é o novo portal de investimentos da Bahia, a ser lançado agora no início de 2017. Trata-se de um portal com o propósito de "vender" a Bahia para investidores e, ao mesmo tempo, com uma possibilidade de interação progressiva. Em época de crise, com orçamento curto, talvez a gente não consiga estar em todas as feiras ou missões como se gostaria, portanto, é importante operar com a internet, oferecendo o máximo de informações para quem quer investir na Bahia, Para se ter uma ideia, este ano, antes mesmo de lançarmos o portal, já foram mais de mil empresas atendidas. É o nosso esforço diário.

Essa mudança de perspectiva e gestão da pasta teve alguma resistência dentro do governo? Notas na imprensa até informaram que o senhor talvez não continuasse mais na pasta em 2017...

Não, muito pelo contrário. Nunca sofri nenhuma resistência, nem interna, nem externa. Estou acostumado a trabalhar com equipes motivadas e acredito no reconhecimento do trabalho das pessoas. Na SDE, temos uma equipe técnica muito boa, aliás como poucos lugares onde atuei, e a gente conseguiu uma boa sinergia interna. Agora, quanto ao governo, estou atendendo a uma tarefa que o governador Rui Costa me passou, cumprindo o que me propus. Aliás, nada teria sido feito se o governador não estivesse apostando em nossas ações. Ele não só tem apoiado, como tem ido, pessoalmente, em missões, num trabalho, corpo a corpo, de atração de investimentos, atendendo empresas também e buscando estar sempre disponível para atender nossos planos, com ações realmente bem sintonizadas.

O senhor sofreu algum tipo de comparação, já que o senhor tem bons resultados, mas que ainda são menos expressivos que os de gestões anteriores?

Acho que existe muita clareza de que são ambientes completamente diferentes: uma coisa é se estar num momento em que nem se precisa sair da secretaria, pois já tinha muita gente procurando o estado para investir. Hoje, entretanto, nós vivemos num ambiente em que é preciso fazer um esforço muito grande para conseguir uma atração que antes contava com maior determinação por parte do empresário e que hoje exige um convencimento. Ele hoje precisa de demonstração de ambiente seguro em que a gente precisa estar ainda mais disponível para abraçar o projeto, mantendo-se próximo dele. Então, valorizamos cada atração que foi feita no passado, com muita competência, mas estamos cientes de que hoje é preciso suar muito mais para se conseguir os mesmos feitos. Mas, a situação do país é muito clara, e os números que nós temos são, ainda assim, muito bons nessa realidade.

Quais são mesmo esses números?

Nesse um ano e meio de gestão, temos trabalhado com mais de 400 protocolos de intenções. Mas, apenas do ano passado para cá, tivemos 195 protocolos assinados. Isso numa época de uma crise, não é pouca coisa. É justamente porque o governo se mobilizou para procurar fazer tudo o que era possível para abraçar esses investidores. Isso significa um investimento em torno de R$ 18 bilhões previstos para os próximos dois anos, o que representaria a geração de mais de 24,7 mil empregos. São protocolos assinados, fora o estoque que a gente tem de trabalhar para que se efetive. Então, acho que, para a realidade que nós temos, estamos conseguindo realizar números bem razoáveis. Ainda não os números que a gente desejaria, mas os que estão sendo possíveis. O mais complicado é que 2017 parece que aponta para ser um ano muito difícil também. Infelizmente, o próprio “golpe” foi bem em cima disso: não interessava o amparo legal ou legítimo, mas apenas se convenceu boa parte da população de que era um procedimento necessário para o país voltar a crescer. E o que a gente viu foi uma economia piorando, com um governo que tem tido atitudes completamente destoantes. A crise política só piorou, num ambiente que não favorece investimentos. Neste contexto, mesmo com as reformas que se tenta fazer, da forma como são feitas, sem a devida discussão, só geram ambiente de mais instabilidade. Então, a gente vai continuar trabalhando, ainda mais, ciente de que este ambiente político só compromete a economia.

Então, o senhor acha que não temos mesmo muitas perspectivas para 2017?

Não no caso da Bahia. Aqui, o governo tem trabalhado e vai continuar investindo, continuando na batalha para manter e conseguir alternativas de financiamentos para a infraestrutura que a Bahia precisa, e tem caminhado nisso. Portanto, eu continuo afirmando que, em 2017, a Bahia é o estado com o melhor ambiente de negócios, ou está entre os melhores. Aqui, conseguimos, minimamente, ter um ambiente político de respeito e seriedade, e um governo que mantém seu equilíbrio fiscal, mas estando sempre comprometido em melhorar a condição de vida das pessoas. Esse equilíbrio é fundamental para que as empresas vejam na Bahia uma oportunidade de um ambiente mais tranquilo para acolher os investimentos. Estamos atentos a isso e vamos continuar também acreditando em importantes setores pujantes, como de energia eólica, de petróleo e gás, de celulose, calçados, entre outros. Portanto, mesmo na crise, as coisas devem continuar acontecendo na Bahia, e a gente espera que, no segundo semestre de 2017, as coisas melhorem um pouco. Acredito que, na terra de Rômulo Almeida, a gente tenha condição de conseguir passar essa turbulência e retomar o processo do desenvolvimento. Temos que considerar que, só este ano, 60 empresas se instalaram no estado e a previsão é de que até 2018 mais de 300 empresas se instalem no estado (dos setores de eólica, petróleo e gás, principalmente). Vamos continuar monitorando esses projetos para consolidarmos, sim, essas boas notícias no ano que vem, pelo menos, aqui na Bahia.

Fonte: A Tarde

Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.